A vida quer coragem, o mundo quer motivo.
Justo anteontem. Depois, justo ontem. Agora justo hoje.
Eu quero silêncio, eu não quero motivo.

Quanto menos me mexo, mais ele, sem parar e incansavelmente, se agita, se re-organiza, se mexe.  In-ces-san-te-men-te.

Porque tem que girar. Porque tem que seguir. Porque tem que olhar para frente. Porque tem que.  Mas, eu. Eu olho pela janela buscando um ponto de referência estático. Um respiro. Um porto. Um lugar pra me agarrar. Um alívio para essa tontura, que é ter que explicar aquilo que a gente não entende, enquanto tenta se recolocar. Pro mundo, no mundo.

Isso tudo que não se aquieta a minha volta. Isso tudo que gera essa puta angústia – que vai passar, mas até lá, vai consumir. Pedaços, noites, dias, pratos e pratos de mim. Sem parar. Girando. Porque é assim. Isso tudo de enorme que é tão forte que já nem dói.

Quanto mais o mundo quer – de mim – o mundo, mais eu quero só um cantinho.
Quanto mais ele quer caber na minha dor, menos eu consigo dividir o meu espaço.

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