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Para Bia – com amor

 

bia

Filha,

Ontem você completou 7 anos! Nunca me esqueço daquela manhã de terça, das dores das contrações e de você estreando nesse mundo com um puta susto na gente.

E justo ontem, minha pequena, justo no dia do seu aniversário, nós sofremos um acidente de carro na estrada.
Acho que você nunca se esquecerá disso, porque de todos nós, quem mais se assustou foi você. E sabe por que, filha? Porque foi seu primeiro encontro com a possibilidade de se machucar muito e até de morrer. E eu te entendo, filha. Porque eu não falo sobre isso, mas “me pelo” de medo de morrer. Morro de medo de pegar o caminho errado e parar justo naquele lugar que a gente – que tem alguma consciência – não quer acabar nem a pau, filha. Medo de não ter ninguém na porta me esperando. Medo de ter que fazer essa viagem voando, amor.  Medo de o céu ser grande demais e eu não encontrar o vovô Arnaldo, a Vovó Pequena, o Tio Jô e a Tia Rose…  Um medo que é tão grande, tão grande que até me impede de pensar nisso, apesar de ter certeza que acontecerá.

Sabe filha… Se eu pudesse te dar um conselho ele seria: esqueça isso de morrer, porque este é um fato. Então, esquece, Muriçoca. Esquece porque a gente tem que gastar energia e fazer esforço por aquilo que controlamos ou achamos que vamos um dia controlar.  E a morte não é uma delas – infelizmente.
Então, filha, esquece.
Vai viver a vida, deixa o sol entrar, dance, mergulhe, se proteja, viaje e faça bons amigos, meu amor. Amigos que estejam com você de verdade. Com o corpo, a alma e o coração.
E se você conseguir um pouco de cada uma dessas coisas, amor, terá valido muito a pena, cada segundinho.
O resto é resto, amor. Pode acreditar.

Um beijo enorme com esse amor infinito,

Mamãe