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Para: Matheus.

Matheus

 

São Paulo, 25 de outubro de 2013.

Matheus,

Hoje você completa 6 anos de vida, meu amor! Sou muito grata, filho, porque isso significa que hoje eu faço 6 anos com o amor.
6 anos que rebootaram minha máquina. 6 anos do dia em que senti o maior medo e a maior felicidade ocuparem o mesmo espaço dentro de mim.
De lá para cá, filho, a vida mudou completamente. O futuro, que era todo dia que acontecia, como quando nos meus 20 e poucos anos, passou a ser te ver crescer. Passei a ter medo de altura, de carro correndo, de túnel fechado, de avião, de gente, de abelha e de galinha. A galinha eu nunca entendi o motivo, mas sabe filho, somos feitos – também – dos medos que sentimos. Então, eu entendi que tinha passado a viver para você, por você.

Filho, sou muito mais feliz desde você.
Eu te desejo muita saúde, algum discernimento e bons amigos, desses que duram a vida toda. Porque só assim é possível ganhar o mundo e usar o bairro como a cerejinha do bolo, filho. E aí o resto é com você, meu amor. E com suas escolhas.
E estaremos sempre juntos para elas e seus resultados.

Obrigada, meu pingo de gente. Por mudar minha vida, me ensinar, me chacoalhar, me enfrentar, me questionar, me ignorar, me refletir até que eu me repense, me escutar e me amar. E também por me acordar cutucando o sovaco com a pontinha do dedo, e não me deixar falar, e querer fatiar o espaço da minha ansiedade, e por ser sensível a ponto de me emocionar.
Ufa, filho. Obrigada por nossos momentos todos. Os bons e ruins. Obrigada por você, em algum plano, por algum motivo, ter me escolhido.

Que venham dezenas e dezenas de outros 6 repletos de felicidades. Seja lá o que isso signifique para você.
Feliz aniversário, meu pequeno gigante. Eu te amo tanto!
Com todo amor impossível e imensurável,
Mamãe.

 

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Encontros.

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Eu gosto de gente. De verdade. Visceral e intensamente.
E gosto de encontros. Esses sem mais nem menos, na esquina de uma rua cinza, suja e sem faixa de pedestres. No boteco gorduroso que serve cerveja no copo de requeijão e com gelo.

Encontros mágicos que acontecem quando menos esperamos e nos pegam desprevenidos, de calças curtas, sem que possamos nos proteger. (Mas afinal, nos proteger de que mesmo?)
Encontros que sacodem a alma e chacoalham a vida por dentro.
Encontros onde não cabem explicações, razões nem motivos.

É o de repente da vida que abre janelas de onde entra uma brisa fresca e gostosa. É o caco que não estava no roteiro e que muda o rumo da história. Quem sabe para sempre, quem sabe por hora. De repente. Do nada. Com se numa ligação de prospecção fosse possível encontrar uma amiga. Só para eu lembrar como é mesmo que funciona essa vida. E adorá-la ainda mais.

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Desenho: Dario Felicissimo

 

Não sabemos mais conviver com o natural, com a essência, com aquilo que somos. Por nascença, por culpa da genética, do destino, do chocolate, do desleixo, ou simplesmente por sermos assim mesmo. (E colocar a genética no mesmo patamar que o chocolate, não significa que sou louca, mas que quero dizer que não importa de “quem” é a culpa). Não sabemos mais lidar com quem somos de verdade e passamos boa parte do tempo querendo nos adequar aos padrões. De beleza, de conduta, de gosto, de formato, de configuração. Reformamos nossos corpos, trocamos a cor do cabelo, achamos estranhos mulheres e homens com pelos, julgamos mal quem não absorve as tendências. A moda, o estilo, a música, o gosto para comida.

No manual do padrão do aceitável, o primeiro tópico é: não se aceite, se enquadre.

Essa linha burra que prega o certo e o errado, o bonito e o feio e exclui qualquer possibilidade de existir algo menos radical entre dois extremos. Mas, o que é aceitável é aceitável para quem? Onde quem é quem mesmo?

Admitir-se, aceitar-se e deixar de brigar com sua própria natureza é conhecer a liberdade no seu melhor formato. Do contrário, o resultado vai variar entre a infelicidade explícita e a felicidade de mentira. O que no fim do dia, dá na mesma.

Eu não sou contra plástica, botox, protese, tratamentos e blá blá blás. Eu sou contra quem faz isso pelo padrão e só por ele. Eu sou contra quem deposita sua felicidade no padrão. Porque o preço pode ser alto demais, porque não existe nada tão libertador quanto sermos quem somos e porque o padrão não merece esse esforço todo. É isso que eu acho.

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Das formas do amor.

 

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Para ser amor nem sempre precisa ser incondicional, esse é um privilégio dos filhos. Para ser amor não precisa fazer levitar o tempo inteiro. Melhor deixarmos isso para a paixão, que dura pouco, que devasta tudo e acaba. A rotina tem uma predileção indiscutível por pés no chão, requer mais atenção, mais afeto. Convenhamos, o amor não é dado a inseguranças, precisa mesmo é de terra firme para pisar e seguir adiante. Não tem o talento nato da paixão, quando tentamos andar sob a areia movediça na pressa de chegar ao outro lado. O amor se alimenta da tranquilidade de nos sabermos ali, intactos, sem pressa alguma.

Há gente que esbraveja que amar é perdoar, quando perdoar é um exercício bem executado pelos resignados e somente por eles.
O amor não depende do perdão. Pensa bem: você nunca amou sem conseguir perdoar? Há também quem diga que “amor é uma vez na vida e olhe lá”. Não quero e nem posso acreditar nisso. Prefiro preservar achismos ingênuos de minha adolescência, onde o amor sempre foi o vírus mutante mais potente do mundo. Com capacidade de se transformar, se recriar, se musicar sozinho. Apesar do homem. Porque durante a vida amamos muito. O primeiro amor cercado de descobertas e pânicos. O segundo que geralmente nos ensina mais que o primeiro, porque a fase das descobertas é dificílima. Sem contar os amores de pais, amigos, de irmãos e primos, os amores impossíveis e os amores que a gente que é, mas descobre muito mais tarde que era só dor de barriga mesmo. O amor tem milhões de formas, possibilidades, cores e fantasias.

O que define o amor é a intensidade de quem o recebe e como ele volta para nós. Há os amores intensos e os mornos, assim como existem os dias azuis e os cinzas. Não é porque é morno que não é amor. Não é porque está cinza que não é dia.

A dúvida não é se existe mais de um amor. A dúvida é se queremos amar mais de uma vez. Se estamos preparados para esse troço sublime e de entrega que é o amor. Não sei vocês, mas desconfio de quem nunca amou. Não sei vocês, mas eu tentaria zilhões de vezes se preciso fosse. Quem acredita que o amor acontece uma única vez na vida e que ele tem um único formato, não vai ter a segunda chance de esbarrar no segundo amor.

Afinal, ele, o amor, não é dado a desconfianças. Nem a covardias.

 

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Amar.

 

 

 

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“Amar é olhar junto para mesma direção”. Minha avó repetia essa frase como quem ensinava um mantra aos alunos recém-chegados a esta vida. Talvez por isso, naquela tarde meio cinza e sem jeito, aquela cena tenha me chamado tanta atenção.

A brisa estava mais fria do que quente, já era fim de tarde e eu – por muito menos, no lugar deles, já estaria em casa, em frente à TV e debaixo do edredom.

Bem devagar, como quem deseja não assustar um casal de bichinhos pequenos e indefesos, me aproximei para uma foto. Ele estava com a mão direita – um pouco trêmula – descansando na perna esquerda dela. Eles não diziam uma palavra sequer e mal se mexiam para respirar. Mas, olhavam fixamente para a mesma direção. Sem emitir um ruído.

Me lembrei de minha avó com seu mantra preferido sobre o amor.
Fiz minha foto, entrei no carro, bati porta e eles não me notaram.
Seguiram imóveis e alheios a toda a movimentação insana do mundo. Olhando para aquele mesmo ponto.
Num claro e longo e belíssimo sinal de amor.

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Eu, o céu e o infinito 

 

Ia ser só mais uma foto de céu para o instagram, mas minha vontade foi sentar no chão e olhar com a calma que a imensidão do céu merece. E sentei. Ali mesmo, na calçada, as 14:18 de uma quarta-feira. Esse negócio entre eu e o céu é sério mesmo. Eu não tinha 6 anos e tentava entender o céu e a vida no céu. Nada me tirava da cabeça que o céu tinha síndico, um cacique, um governador abaixo de Deus. Porque senão, como é que Deus ia dar conta de tudo? E no fundo no fundo, tudo começou porque o amor da minha vida, meu avô, tinha “ido para o céu”.

Ainda bem pequerrucha, nos dias de angústia, de saudade e tristeza, sentava e olhava pra cima. Com se esperasse um aceno, um vulto ágil fazendo mágicas que não me assustassem, uma nuvem com algum recado. Eu queria provas, truques e alimentação gourmet especial para minhas esperanças de que as pessoas que a gente ama, estarão guardadinhas, intactas, sãs e salvas, nos esperando para um reencontro incrível. E queria tanto que, por algumas vezes, o vulto até voava de um lado para o outro, mais rápido que um cometa e com perfil de zombador. Me deixava bem desconfiada e desconfortável, ainda que sem medo.O dia estava lindo e extremamente azul, as nuvens paradinhas e eu decidi ficar ali por uns instantes. O mundo que esperasse, eu estava com saudade. Em absoluto silêncio, ficamos ali sozinhos, eu e o céu, conhecidos de longa data.

O ritual não foi o mesmo por motivos óbvios e agora, já não espero mais o aceno, o vulto ou a nuvem-carta. Descobri que minha irrevogável paixão pelo céu tem a ver com o infinito. E que eu gosto dele, do infinito, porque ele me soa seguro. Porque ele não acaba. Porque ele é para sempre

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