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Tempo de viver

 Ilustração: Josh Cochran

Não tá dando tempo de viver – pro suspiro, pra poesia, pro sonho – porque é muita coisa.
Porque a gente trabalha demais e não sobra tempo. E quando sobra tempo é um puta trânsito lá fora. E quando não é isso é porque a violência tá comendo solta na rua e é melhor “não dá bola pro azar” como diria meu velho.Não tá dando tempo de viver.
Então, agora não e – talvez – que merda – cada vez menos.

Por um universo lotado de motivos em todos os seus centímetros. E porque temos cada vez mais medo. E então, cada vez mais – meu Deus – que merda – tá dando pra viver – livre. - Liberdade em 2014 é ter apartamento com varanda e tomar um ar com o carro em movimento e a cara pra fora.

E quando não é isso é porque a grana tá curta. Porque a vida tá cara pra cacete. Porque a inflação isso. Porque os políticos que roubam aquilo. Porque o Brasil tá um abismo sem fim. Quanto mais a gente cai, mais o chão abre pra gente continuar caindo.

Não tá dando tempo de viver – direito e livre – porque está todo mundo muito ocupado.
Muito absorvido. Muito cego. Muito cansado. Muito sem dinheiro. Muito solitário. Muito. Muito mesmo.Porque não tem inspiração – para viver leve- que resista.

Não tá dando tempo de viver – com amor pela vida – porque desaprendemos a reagir depois que decoramos como suportar.

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Garoa.

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Só não estava mais escuro naquela madrugada por causa da lua iluminada. Uma semi bola quase prateada no meio do breu. Coisa de filme apesar de eu estar bem aqui, na varanda da vida real e das respiradas fundas, longas e geladas. Me acomodo cansada na poltroninha esperando que as reflexões, quem sabe, tragam o sono e o amolecimento do pescoço sempre em estado de alerta.

Fecho em mim o ciclo da tentativa do financiamento coletivo do filme que não aconteceu. Busco culpados. Sou esse tipo de pessoa frágil, rabugenta e chatinha. Respondo baixinho para mim mesma, a mesma meia dúzia de perguntas que me faço insistentemente.
Saber as respostas nem sempre é o suficiente. Taí uma das verdades do mundo. Que adianta saber as respostas e não saber o que fazer com elas? Talvez o que demore na vida seja isso. A gente entender as repostas que a vida dá em todos os centímetros de vida que a gente vive. Somos um bando de pseudo idiotas emocionais.

A poltroninha alfineta a lombar porque a almofada de trás já não é a mesma. Coisa do tempo, imagino eu. Da lombar e da almofada.
A lua, o céu, umas estrelinhas e aquele bafinho de fumaça da madrugada quando tá friozinho. Aliás, a gente sabe que o mundo está louco quando começa a sentir frio com 20 graus. Passeio dentro de mim fechando as janelinhas que me mantém acesa. Revisito conversas, relembro mensagens, borrifo água nos motivos, rego em mim o que há de melhor em mim. E então é inevitável não abraçar as pontadinhas de saudade que acordam meu corpo sempre. E tudo em mim sente. Cabeça, tronco, membros. O coração tem uma dor muscular que não cessa. Mas eu sou esse tipo de pessoa que se acostuma com as dores musculares e nutre um imenso desejo por um dia – quem sabe – soprar bolinhas de suco de melancia por aí. Bolinha de sabão com suco de melancia para refrescar o mundo de si mesmo.

Tem uma garoinha. A falta de chuva é tanta tanta que qualquer garoinha emociona apesar de não fazer nem cócegas no vazio das represas. Choro pouco em nome da economia de água.

A lua dá umas rápidas saidinhas do lugar. Sou esse tipo de pessoa fascinada pelas coisas que mais tem medo.
Uma vez minha avó comprou um prendedor de sonhos que parecia a lua e eu achava aquilo lindo, mas uma semana depois meu cachorro destruiu e eu quase morri. Nunca mais vi um prendedor de sonho parecido com a lua e passei anos procurando.
Deve ser por isso. Ou deve ser só coisa da minha cabeça mesmo.

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Saudade genuína.

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Uma saudade daquelas de apertar o peito até parecer que o infarto já acabou.
Um peso no centro, uma angústia por todos os lados, um vazio sereno.
Eu acho que quando é sem motivo é sempre pior por que é saudade genuína, pura.
Saudade da rotina, não das festas. De todo o dia, não de faltar seu corpo no canto esquerdo da mesa do parabéns.

E então todo mundo te parece, te lembra, todo mundo tem um quê de você, todo mundo é seu genérico mal acabado e embalado. O sorriso sem jeito e sem vergonha no Senhor Manoel da padaria, o bom humor costumeiro no Milton do táxi, o gingado para vida na Bia, a timidez em público no Matheus. O ombrinho para cima e para baixo, dançando com os olhos apertadinhos e fechados. Tudo passa. Até a uva passa, menos a saudade.

Você em mim cada vez que te reconheço numa expressão despretensiosa de banheiro em frente ao espelho. Você em meia dúzia de gestos que nunca fiz, mas que agora estão piores que tique. Você em cheiros, você em sons, você nas cores que você nunca distinguiu.

Do tamanho do mundo, na minha intensidade.
De travar a língua e a garganta.
De ter vontade de não ter vontade.

Doída, sem choro, seca, esturricada.
Uma saudade genuína.

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Bia,

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“É pliê, mãe. Fala pliê, mãe! Assim ó. Fala o PLI. Agora fala o Ê, mãe. Pliê.”

“Você não entende nada disso, mãe”

“Se você não deixar eu nunca mais vou querer ser sua filha e você vai chorar, mãe”

 

A lembrança ainda é fresca. Como se tivesse sido ontem ou no máximo semana passada.
Naquela terça-feira levantei pesada, inchada, cansada e com a bexiga explodindo de cheia. Dizer que corri para o banheiro é mentira, porque ninguém corre naquela fase, mas alguma coisa parecia fora da ordem e do lugar e eu tive que me apressar muito.
Não precisei nem de 6 minutos e meio para entender que ela ia nascer em poucas horas, com o pai fora do Brasil.
Entre escovar os dentes e sentir aquele medo absoluto, lembro de ter me olhado no espelho por alguns segundos, tentando me convencer que ainda dava para nós duas, que devia ser só mais um crise de ansiedade fora de hora.
O nariz seguia a batatinha gorda e de buraquinhos pequenos de sempre, mas os pés mal suportavam a tira frouxa do velho par de havaianas.
De repente, como quase sempre é a vida, costas, costelas e adjacências pareciam abrir, enquanto Juliana fechava a mala. Jamais esqueço que, suando, Juliana repetia randomicamente como quem cantava um mantra de auto-convencimento-rápido:

“Calma, tá tudo bem, vai dar tudo certo.”
Às 13:17 daquela terça-feira de calor deu tudo certo.

Bia, meu amor apimentado!
5 anos se passaram daquela terça-feira.
5 anos de um amor que eu não consigo escrever por um pilha de motivos.
5 anos de você me beijando, me sorrindo, me enfrentando, me dispensando, me abraçando, me enfrentando de novo, me ensinando a dançar, me ensinando a ser melhor, me enfrentando mais um pouco e dançando dentro do banho. 5 anos de você me explicando de muitas formas como é lidar comigo.

Quero te desejar uma vida feliz, filha, seja lá o que isso signifique para você daqui alguns anos. Que você saiba ser feliz e que seja realmente, apesar de todas as consequências.
Porque a vida é breve, filha. E a gente nunca sabe se vai ter outra.

Te amo. Para sempre.

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#vem #2014

 

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Desejo que 2014 venha com muita saúde para aguentar tudo de planos que pretendo realizar (e tudo de saúde que quero desejar). E não é só saúde física não é também saúde mental. Desejo também que 2014 traga consigo mais momentos de serenidade e cabeça fria pro mundo, pro dinheiro, pro poder e para quem precisa de serenidade porque não tem sequer o básico. Desejo serenidade.

Desejo profundamente que a gente viva mais de verdade. Tudo: saudade, amor, dor, tristeza e emoções de montanha russa. Para que assim tenhamos mais boas histórias a contar do que reclamações a fazer e ausências a lamentar.
Torço para que a gente deseje de verdade – com sangue nos olhos – ser feliz. Que a gente entenda que a zona de conforto só é boa para quem já desistiu, e que a gente enfrente a vida e tudo que tem nela com dignidade e segurança e tesão e peito aberto. Porque senão não vale a pena.

Desejo que a gente saiba deixar a vida acontecer sem sentir medo.
Desejo que a gente mude tudo aquilo que está ruim ao invés de se acostumar.  Que a gente não tenha medo do novo e nem do escuro, porque monstros não existem (a menos que a gente dê vida a eles e depois siga alimentando). Desejo que a gente mude pra melhor e
sem medo de errar porque erros são parte (importante) do processo. Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente.

Que a gente enfrente problemas, viva sonhos, ria das maiores merdas do mundo, que a gente cultive amigos com abraços e flores com água gelada. Que a gente sinta saudade, que chore, que arrepie, que a gente tenha vontade de ir – sobretudo -adiante. E que a gente aprenda que a vida é feita de escolhas e que elas tem um preço. Então desejo que a gente saiba pagar os preços.

Que a gente priorize, racionalize, pense, assuma, mas que a gente saiba sentir intensamente as melhores coisas da vida. Que a gente saiba dar valor e que tenhamos discernimento para tomar decisões importantes e coragem para arcar com as consequências delas. Que a gente saiba pedir desculpas e encontrar meios de voltar atrás. Que a gente reconheça erros e aprenda com eles. Desejo infinitamente que a gente resolva ao invés de deixar passar, porque algumas coisas simplesmente não passam.

Desejo que 2014 tenha mais filhos felizes, trilha sonora, alegrias, encontros com amigos, trabalhos que arrepiam os pelinhos, outras e novas oportunidades. Desejo acima de tantas coisas que sejamos honestos. Com nós mesmos e com quem nos cerca. E cuidadosos com quem nos ama, porque o amor não é dado a desaforos.

Desejo – finalmente – que a gente mereça um 2014 do cara-leo.
Caso contrário todo o resto não vai passar de superstição besta de avó.

Feliz 2014, macacada! =)
Que estejamos mais juntos e muito mais felizes! <3

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2013,

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2013 foi um puta ano. Lindo. Penoso. Intenso. Tenso. Cansativo. Vibrante.
Um ano profissionalmente incrível. Primeiro porque bati as asas mais alto que o de costume. Segundo porque depois disso, veio todo o esforço e a dedicação para me manter voando. Porque a real é que nunca é só decolar. É também correr os riscos de manter-se voando. E depois pousar com alguma segurança.

2013 foi o aniversário de 1 ano sem fumar. E também o ano em que comecei a correr e fazer pilates. Tenho me dado de brinde uma vida nova. Aos poucos. Todo dia uma pequena dose de vida nova. Uma vida onde respirar não parece espamo. Uma vida onde subo ladeira sem ter medo de enfartar.

2013 teve reencontros. Poucos, mas deliciosos e decisivos – especialmente – para os rumos profissionais. Reencontros desses que mudam a vida, desviam cursos de rios e transformam planos. Gente e encontros. Porque no fim é isso, né? A vida é isso e acontece a partir disso: gente e encontro.

2013 foi um ano que me presenteou de muitos jeitos, até quando me bateu de mão aberta. Velhos sonhos, antigos ideais, caminhos inusitados. 2013 escancarou tanto que muitas vezes me perguntei se era merecimento ou se isso tudo é porque meu pai ficou amigo da Diretora do Céu e reorganizou as prioridades. 2013 exumou sonhos enterrados e jogou-os de volta pro universo. Com tudo que isso tem de bom (e tem, viu).

2013 também teve outro luto. No susto, no grito, a vida de repente, puf. E de novo uma montanha russa de saudade e de medo disso que eu já conheço tão bem. As coisas definitivas, contra as quais a gente simplesmente não pode lutar.

2013 foi, por fim, justo comigo. Trafegou igualmente entre o que me move e o que me finca. Entre as coisas da vida e as consequências das escolhas. 2013 me voltou pra mim e inseriu no meu centro o chip da esperança. Desse troço clichê pra cacete que é – de repente – acreditar que para mudar tudo é só querer (mesmo que o “só” não tenha nada de “só”).

Se depender de mim 2013 foi só o começo.
Desejo do fundo do meu coração que nosso novo rolê em volta do Sol seja cheio de luz, saúde, gente do bem, sonhos e amor. Muitos sonhos e muito amor.

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