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O gigante.

 

05fc6c9ecf6877addcf02c931d0046c0 Goya´s Giant, Francisco de Goya.

 

Andando na rua, a sensação é que o (pequeno) gigante tá bastante confuso e atrapalhado.
Em uns milésimos de segundos, ele tenta se levantar e encontrar alguma lógica em ter chegado tão longe. Mas, logo em seguida, parece não saber para onde ir e em nome de que ir.  Há tantos, tantos, tantos motivos que o gigante perdeu o sentido.

Enquanto a perna esquerda quer ir para um lado, a direita insiste em fazer força contrária.
E o tronco do gigante parece empacar. E as pessoas em sua volta especulam, olham, sentem pena. Umas fazem piada, outras lamentam a triste cena.

Completamente sem foco.
Frágil apesar do tamanho assustador.
Pequeno apesar de sua grandeza.
Como se tivesse tomado um enorme porre de bebida de quinta.

Antes de dobrar uma das esquinas, que provavelmente o levará a outro beco sem saída, o gigante suspira alto, cansado, abatido. Tentando subir outra rua. Com sede de luta, mas sangrando. Querendo brigar por tudo, mas sem ordem. Parece lutar contra si mesmo.

No olhar perdido, o pedido de ajuda é evidente.
Mas, ninguém sabe o que fazer se não olhar de longe e sentir tudo isso, cada um do seu jeito.
E – de preferência – protegido.