1095 dias

 

Hoje é aquele dia que apesar do sol, das felizes certezas e do amor que não acaba, sempre será o dia em que nos despedimos.
O dia que mudou a minha vida, deixando tudo, tudo estranho e diferente, porque não tinha mais você. E isso significa não ter uma pilha de coisas que só existiam em você comigo e em mim com você.

O dia em que passei a não ter mais quem obedecer. O dia em que a partir dali – não tinha mais para quem ligar quando chegasse em casa altas horas da madrugada.

“Me avisa se não te mato”. “
Quer que eu fale de novo para não esquecer?”
“Tatianá, não chega tarde.”

12 de junho será todos os anos, a noite em que o porto seguro saiu navegando no infinito do oceano, sem que eu pudesse mais – sequer –  vê-lo de longe. Sem contato físico, sem a companhia de sempre, sem o papo bom e a briga melhor ainda (porque, meu Deus, o que a gente brigava não estava escrito), as flores e o cartãozinho no dia dos namorados que você nunca esqueceu. Sem mais meu par, na dança lenta que tinha os ombrinhos se mexendo.

A noite em que não soube para quem voltaria se tudo mais desse errado dentro da minha casa.

É isso há 3 anos. E será isso pra todo o sempre.
Um cinza geladinho que insiste em me fazer companhia nessas datas.

1095 dias sem você. Sussurrando, chamando, pedindo, xingando, me tocando pra frente, me requisitando, me mandando embora, me mandando voltar, me pedindo para ficar mais um pouco.

1095 dias de uma saudade que eu nunca quero que passe.

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